Entre as Linhas da Cidade

Nas entranhas da cidade, onde as ruas são como veias pulsantes e os prédios se erguem como monumentos à nossa própria grandeza, existe uma história que raramente é contada. É a história dos marginalizados, dos esquecidos, dos invisíveis que habitam os cantos mais obscuros e negligenciados da metrópole.
Neste labirinto de concreto e aço, onde o tempo parece correr mais rápido do que em qualquer outro lugar, é fácil perder-se entre as multidões e se tornar apenas mais um rosto na multidão. Mas se olharmos mais de perto, entre as linhas da cidade, encontraremos histórias de coragem e resistência, de luta e perseverança que desafiam todas as probabilidades.

É nas vielas esquecidas e nos becos sombrios que encontramos a verdadeira essência da cidade, onde a vida pulsa com uma intensidade indomável e os sonhos florescem mesmo nos lugares mais improváveis. É aqui que os artistas encontram inspiração, os poetas encontram sua voz e os sonhadores encontram um refúgio da dureza implacável do mundo lá fora.

Então, enquanto caminhamos pelas ruas agitadas da cidade, é importante lembrar que nem tudo é o que parece à primeira vista. Por trás das fachadas de concreto e vidro, existe uma beleza oculta, uma poesia urbana que aguarda ser descoberta por aqueles que têm olhos para ver e coração para sentir. Porque é entre as linhas da cidade que encontramos a verdadeira alma de um lugar, onde as histórias mais profundas e significativas aguardam para serem contadas.

Matile Facó

Em toda parte

Eu fui embora, mas ainda sou a lembrança viva
Por toda parte, em suas memórias se ativa
No carro, ao ligar o rádio, ainda ouve minhas cantorias
Você ri ao lembrar das desafinações em melodias

No restaurante que amo, o garçom pergunta de mim
Em cada bar, aquele gin traz lembranças sem fim
Meu drink favorito, com limão espremido ao sabor
No fim do jantar, o café que sempre pedia traz meu jeito em seu calor

Quando abre um vinho, minha boca roxa persiste
Dia de cor vibrante, momento que nunca desiste
Com outras mulheres, você segura a taça como eu
As lembranças são fortes, meu toque em ti se prendeu

Sua nova namorada demora horas para se arrumar
Você achava interessante, mas agora só quer me encontrar
Deseja que ela também se arrume em quatro minutos, sem tanta maquiagem
Porque assim lembra de mim, do jeito que eu era, do meu gosto

Você dorme com outras, mas acorda desejando a insistência
Que eu pedia para ficar mais meia hora, sem resistência.
Ao chegar em casa, sente falta do abraço apertado
Das saudades expressas com exagero, que eu te amava sem cuidado

Eu fui embora, mas sei que estou por toda parte
Em cada lembrança, em cada sentimento que ainda bate
Você sente minha presença, meu amor deixado no ar
Mesmo seguindo em frente, sabe que sempre estarei a te acompanhar

Matile Facó

Se eu já li este livro

Se já li este livro, a vida está escancarada
Manchas de café, páginas queimadas e observações trilhadas
Cada marca conta minha história, sem rodeios, sem desvios
Rastros impressos, indeléveis, como sinais em meus livros

Procure as manchas de café, evidências do meu despertar
Pelos cantos escuros, onde meus demônios se põem a falar
Nas páginas queimadas com cinza, a fumaça dos meus vícios
Uma dança íntima entre prazer e sacrifício

As observações em letras firmes, um convite à compreensão
Segredos revelados em palavras, em minha expressão
Deixo rastros, marcas de uma existência intensa e profunda
Você sabe, me disse, é assim que minha alma se aprofunda

Nas margens rabiscadas, reflexões que me acompanham
Fragmentos de pensamentos que nas entrelinhas se encaçapam
Em cada página, um fragmento de minha própria jornada
Poesia e loucura se fundem, em uma escrita apaixonada

Se eu já li este livro, encontre a minha essência nas entrelinhas
Um labirinto de palavras, memórias e emoções mesquinhas
Deixo rastros, como marcas de um espírito indomável
Na poesia dos meus versos, onde tudo é inegável

Matile Facó

Poesia em Silêncio

Nunca foi tão fácil falar de tudo que eu conhecia
Assuntos que eu havia lido e já dominava cada dia
Mas nunca pensei encontrar alguém real ao meu lado
Debater sobre eles, em um diálogo tão afinado

Você me disse: “Você fala em filosofia, eu entendo em poesia
Será que devemos nos apaixonar, nessa sintonia?
E eu não precisei responder com palavras, meu bem
Pois a vibração foi nosso elo, intenso e além

Em momentos como esse, a linguagem se fez vibrante
A comunicação quente e clara, como um instante
Não foram as palavras que nos aproximaram, percebi
Mas a energia que fluía, um entendimento que senti

Na poesia dos gestos, na dança das entrelinhas
Descobrimos uma conexão além das palavras sozinhas
Filosofia e poesia entrelaçadas, como uma só voz
Expressões que nos unem, num amor tão veloz

Nossa comunicação transcendendo as barreiras
Encontramos uma linguagem além das fronteiras
Palavras e vibrações se fundem, num diálogo ardente
Onde a alma se revela e o amor se torna presente

Matile Facó

Sem palavras

Na sinuosidade dos corpos, uma dança encantada
A linguagem sem palavras, uma comunhão desejada
Através do toque, sussurros e olhares ardentes
Nosso entendimento se faz, tão íntimo e envolvente

Palavras são limitadas, incapazes de expressar
A complexidade dos desejos que em nós se entrelaça
Na linguagem corporal, encontro o meu abrigo
Onde a pele fala, e os gestos traduzem o sentido

Com um movimento sutil, te pergunto sem falar
E em teus gestos encontro a resposta, a me encantar
Nossas frases não ditas ecoam no ar, silenciosas
Uma linguagem mista, tão poderosa e amorosa

Cada curva, cada suspiro, um verso que se revela
A conexão além das palavras, uma doçura singela
Somos poesia viva, em cada toque e respiração
Na dança dos corpos, encontramos a comunicação

Na jornada incerta, a linguagem sem palavras nos guia
Onde o desejo incendeia, a paixão se expande e flutua
Em entendimento silente, na dança nos envolvemos
E pela linguagem dos corpos, nosso idioma, nos desvendamos

Matile Facó

Amei por dois

Amei por dois, em uma dança solitária
Na imensidão vazia, minha alma se incendiava
Buscava no outro o eco do meu próprio amor
Mas o eco não voltava, restava apenas a dor

Amei por dois, em um abraço vazio e frio
Na cama deserta, o silêncio era meu sócio
Preenchi com palavras o vazio que habitava
Mas as palavras se perdiam, a solidão imperava

Amei por dois, no silêncio das palavras não ditas
No olhar que se desviava, nas promessas desfeitas
Criei ilusões, construí castelos no ar
Mas o vento soprou e os sonhos foram se dissipar

Amei por dois, em um amor incompleto
Onde o eco do meu coração encontrava apenas o silêncio
Fui metade, em uma equação desigual
Enquanto o outro lado estava vazio, em um vácuo banal

Amei por dois, mas agora amo a mim mesmo
Nas minhas próprias mãos encontrei meu leme
Não mais me perco na busca de um amor incompleto
Sou inteiro, mesmo que a solidão seja meu afeto

Matile Facó

De outras vidas

Neste emaranhado de sentimentos tão profundos
Sinto que esse amor transcende além do mundo
Um encontro de almas que já se conhecem

Nas entrelinhas do destino, vejo sinais tão claros
Essa conexão que ultrapassa os limites do raro
Não há explicação para o que sinto tão intensamente
A certeza de que esse amor é de outras vidas, evidentemente

Os olhares se cruzam e algo desperta em meu ser
Uma sensação de déjà vu, difícil de compreender
As memórias escondidas parecem ressurgir
Revelando um amor que já existia e voltou a emergir
Sinto teu toque como uma lembrança antiga
Em meu coração, essa paixão se abriga
Esse amor que transcende tempo e espaço
Um elo que une nossas almas, um laço

Nas entrelinhas do passado, traços se desenham
As vidas que vivemos antes, agora se atraem
Uma história que se repete, ciclos que se entrelaçam
E em cada reencontro, as chamas se reacendem e abrasam
Nossas almas se encontraram, perdidas em outras eras
E novamente se entrelaçam, como tramas sinceras

Então, vamos seguir juntos, nessa jornada tão singular
Onde o passado se encontra com o presente a se entrelaçar
E nos reencontros de almas, renovaremos nosso pacto
Pois esse amor é de outras vidas, isso é um fato

Matile Facó

Inesperadamente maravilhoso

Em meio à escuridão, um encontro improvável
A vida nos uniu de forma insondável
Do nada surgiu uma chama ardente
Com alguém que menos esperava, sinceramente

A cada sorriso trocado, uma poesia nasce
Uma conexão profunda, que a alma abraça
No seu abraço, encontro meu refúgio
E a certeza de que não há outro lugar tão belo e puro

A cada palavra compartilhada, uma sinfonia
Entre o caos da vida, encontramos harmonia
Você, que veio do nada e me cativou
Tornou-se a pessoa que meu coração amou

E assim, nessa história que se desenrola
Uma surpresa inesperada que nos enrola
Uma relação que transcende as expectativas
Cresce, floresce e se torna tão significativa

No improvável encontro, encontrei a felicidade
Com você, minha vida ganha plenitude de verdade
Uma pessoa que menos esperava, mas que é maravilhosa
E juntos, construímos uma história grandiosa

Matile Facó

Alma vazia

Minha alma vazia, abismo sem fim
Onde ecoam murmúrios do silêncio ruim
Pelos becos escuros, vagueio sem destino
Levando o peso de um futuro clandestino
No coração partido, uma tristeza latente
A dor que dilacera, ferida permanente
Os sonhos desfeitos, como cinzas ao vento
E a alma vazia, um naufrágio no tormento

No escuro quarto, a penumbra me envolve
As lágrimas salgadas, a tristeza que escolhe
A busca por sentido, um caminho sem direção
E a alma vazia, um poço de solidão
Nos bares mergulhados em fumaça densa
Afogo minhas mágoas na bebida intensa
A alma vazia suplica por algum alívio
Por encontrar um sentido, ser menos passivo

Mas o vazio persiste, como uma ferida aberta
Uma ausência insaciável que a alma desperta
E assim, sigo solitário, perdido no meu caminhar
Com a alma vazia, a melancolia a me sufocar
No encontro com o espelho, encaro meu reflexo
Um rosto desgastado, marcado pelo desafeto
A alma vazia, um eco de desilusão
Um grito mudo, uma angústia em profusão

Mas entre as sombras, há uma chama acesa
Uma esperança frágil, uma promessa indefesa
Ainda que a alma esteja vazia e cansada
Acredito que um dia, ela será preenchida e amada

Matile Facó

Depois da tempestade

Depois da tempestade, a calmaria se instala
O dilúvio cede lugar à serenidade que acalma
O vento sussurra em suaves melodias
E eu, em introspecção, encontro minhas poesias

Os trovões cessaram, os raios se escondem
Aos poucos, a serenidade ao redor se mostra
As águas que caíram, lavaram as feridas
E eu, entre as ruínas, busco novas saídas

Depois da tempestade, os olhos encontram
As cores vibrantes que a natureza nos brinda
Os passos, antes incertos, ganham firmeza
E eu, reerguida, abraço a certeza

Após a tempestade, a paz se faz presente
E eu, com coração sereno, sigo em frente
O turbilhão de emoções dá lugar à calmaria
E renasço, pronta para enfrentar cada dia

A chuva lavou as feridas, limpou o meu ser
E eu me reconstruo, mais forte a cada amanhecer
Depois da tempestade, ergo-me com determinação
Ciente de que as adversidades são lições de evolução

Matile Facó

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora