Fome

Quando tudo parece tão sem graça gosto de escrever. Falo comigo mesma e busco respostas para minhas perguntas. Afinal, a minha curiosidade é infinita.
O óbvio não me agrada. O clichê me causa repulsa. A rotina me angustia.
Tenho várias versões dentro de mim que estão enjauladas.
Preciso alimentá-las. Estão famintas. Preciso daquela faísca do desconhecido, do estranho, do calor, do vigor, da intensidade e da paixão. Sou completa, mas eu preciso que transborde.
Vejo tantos outros longe da fogueira. Recolhidos, parados, talvez dormindo, seguros. Só que os observo de longe. Durmo muito perto das chamas e vez ou outra me queimo. A dor vicia. E as cicatrizes contam histórias. Me consumo por inteira, mas sempre preciso de mais. Cansei de fingir que estou satisfeita. Sempre vou ter fome de mim.

Matile Facó

Publicado por Matile Facó

Matile Facó, 31 anos, nascida em Fortaleza, Ceará, é uma mulher multifacetada que transcende os limites da sua formação em Administração de Empresas. Como artista, ela encontra sua expressão nas palavras, nos desenhos e nos sonhos, criando um universo único e inspirador. Sua poesia sensível e honesta convida os leitores a explorarem as profundezas da existência humana, abordando temas como amor, saudade e busca interior.

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