
Quando tudo parece tão sem graça gosto de escrever. Falo comigo mesma e busco respostas para minhas perguntas. Afinal, a minha curiosidade é infinita.
O óbvio não me agrada. O clichê me causa repulsa. A rotina me angustia.
Tenho várias versões dentro de mim que estão enjauladas.
Preciso alimentá-las. Estão famintas. Preciso daquela faísca do desconhecido, do estranho, do calor, do vigor, da intensidade e da paixão. Sou completa, mas eu preciso que transborde.
Vejo tantos outros longe da fogueira. Recolhidos, parados, talvez dormindo, seguros. Só que os observo de longe. Durmo muito perto das chamas e vez ou outra me queimo. A dor vicia. E as cicatrizes contam histórias. Me consumo por inteira, mas sempre preciso de mais. Cansei de fingir que estou satisfeita. Sempre vou ter fome de mim.
Matile Facó