Dança silenciosa

Eles se encontram todo dia
No metrô lotado da cidade
Dois estranhos solitários
Sempre na mesma realidade

Ele é um homem de negócios
Ela uma artista em formação
Mas ambos sentem o mesmo fogo
De uma paixão sem explicação

Seus olhos se encontram por um segundo
E uma eletricidade surge entre os dois
Seus corpos se movem em sintonia
Numa dança silenciosa sem som ou voz

Eles nunca se falaram
Mas ambos conhecem a verdade
Há algo entre eles que é maior
Do que qualquer outra realidade

Ele a segue em seus caminhos
Ela o observa em segredo
Cada olhar é uma promessa
De algo maior que o medo

Eles sentem o coração acelerar
Quando estão no mesmo vagão
O amor que sentem é um fogo
Que os queima com intensão

Mas o metrô para em diferentes estações
E eles se separam, mesmo sem querer
Até o próximo dia, quando de novo
Seus olhares voltam a se encontrar, sem saber

E assim eles seguem suas vidas
Cada um com sua paixão secreta
Continuando a se encontrar
No metrô apressado da cidade
Dois estranhos, sempre tão perto
Mas tão distantes na realidade

Matile Facó

Veneno mental

Eu sou uma bola de nervos
um coração em chamas
meus pensamentos são tóxicos
como um veneno que me inflama

Eu tento controlar a ansiedade
mas ela me puxa para o chão
eu fico preso em minha própria mente
um prisioneiro de meu próprio coração

Eu luto para me manter firme
mas minha mente está em caos
eu preciso encontrar uma maneira
de fugir dessa loucura que me assola

Eu busco refúgio em álcool e cigarros
mas eles apenas me deixam mais ansioso
minhas mãos tremem, meu peito aperta
e o medo me consome como um fogo pavoroso

Eu quero encontrar uma saída
um caminho para a paz interior
mas a ansiedade me persegue
como uma sombra escura consegue

Eu sou um pássaro enjaulado
lutando para escapar do medo
mas a ansiedade é implacável
me deixando preso nesse jogo inexplicável

Matile Facó

Confiança perdida

Eu não confio em meu coração
Ele me levou a lugares sombrios
Não quero ter outra desilusão
E voltar a me sentir tão vazio

Eu já fui ingênuo em pensar
Que o amor seria minha salvação
Mas no final só me fez sangrar
E deixou-me uma cruel solidão

Toda vez que penso em me abrir
As lembranças da dor vêm me assombrar
Eu não quero me permitir
A chance de novamente me machucar

Mas às vezes eu sinto a solidão
E ela me aperta o peito como um nó
E então eu me pergunto com razão
Se eu realmente quero ficar só

Mas como me abrir de novo?
Como confiar em alguém mais uma vez?
Eu fico preso nesse jogo
De querer alguém e não querer a dor outra vez

Então, me recolho em meu casulo
Para me proteger da dor
Mas em segredo, meu coração nulo
Ainda sonha com um amor

Matile Facó

Um ano atrás

Se eu pudesse voltar no tempo
exatamente um ano atrás
repetiria cada momento
que foi tão intenso e fugaz

O vento soprava suave
enquanto ríamos sem parar
a felicidade era uma chave
que fazia o tempo parar

Mas agora a saudade bate forte
e eu sinto falta daquele tempo
eu queria voltar àquela sorte
e valorizar momento

A vida segue em frente
mas a lembrança ainda persiste
daquele amor tão ardente
que agora da gente desiste

Se eu pudesse voltar no tempo
exatamente um ano atrás
eu faria tudo diferente
e nunca mais seria ausente

Matile Facó

A felicidade em mim

Não penso mais em ti, meu amor
As lembranças se foram, meu bem
Eu vivo o presente sem olhar para trás
Com novos sonhos e um novo alguém

Não há mais dor em meu peito
Não choro mais as lágrimas que derramei
Curei as feridas e renasci
E, agora, para o futuro eu olhei

Não sou mais a pessoa que fui
Que amou sem receber amor em troca
Aprendi a me amar em primeiro lugar
E, agora, eu sou minha própria rocha

Não me engano mais com ilusões
De um amor que nunca foi verdadeiro
Eu segui em frente e agora eu vejo
Que a felicidade estava em mim o tempo inteiro

A vida é curta demais para se prender a alguém
Que só nos faz sofrer e nos entristecer
Eu encontrei a verdadeira liberdade
E, agora, a felicidade em mim irradia sem se conter

Matile Facó

A cor que falta

Sento-me na varanda
Cigarro em mãos e olhos marejados
Esperando o amor que nunca chega
Mas ainda assim, sigo desesperado

A noite está escura e fria
E eu me sinto tão vazio
A solidão é uma companheira
Que me mantém no vício

Procuro alguém que me complete
Que traga cor a minha vida cinzenta
Mas as pessoas passam como o vento
E eu sigo esperando sem lamento

Às vezes penso em desistir
De me entregar a esse sentimento
Mas a espera incansável pelo amor
Me mantém em movimento

Os anos passam como um trem
E eu ainda sigo a espera
Mas não perco a esperança
De um dia encontrá-la

Até lá, vou me apegando a cada ilusão
E sonhando com um amor verdadeiro
Pois essa espera incansável pelo amor
É o que me mantém inteiro

Matile Facó

À luz da lua

Hoje eu falei com a lua
e ela me olhou com seus olhos claros
Eu perguntei o que ela queria
e ela respondeu: “nada mais”

Ela me contou sobre suas aventuras
sobre as noites que ela iluminou
Eu senti sua solidão no escuro
e a dor que ela guardou

Perguntei o que ela achava do amor
e ela suspirou profundamente
“É uma ilusão passageira”, disse ela
“mas é algo que você deve viver intensamente.”

Perguntei o que ela pensava dos homens
e ela respondeu sem hesitar
“São como marionetes neste mundo
buscando a felicidade sem se encontrar

Ela me mostrou os segredos da noite
os mistérios que ela esconde em seu véu
E me ensinou a valorizar a escuridão
pois é onde muitas verdades se revelarão

Fiquei em silêncio, admirando sua beleza
e senti que havia algo mais a dizer
Ela olhou para mim com paciência
e eu disse: “Obrigado por me fazer entender.”

Matile Facó

Uma incerteza

Eu tento encontrar a coragem
para abrir meu coração
mas e se ele não sente o mesmo?
talvez seja melhor evitar essa paixão

Sempre quando estou sozinha
ainda penso nele sem parar
será que ele sente minha falta?
ou já está em outro lugar?

Às vezes, penso em desistir
de tentar viver esse amor incerto
mas não consigo tirá-lo de mim
e continuo presa nesse deserto

Eu sei que não há respostas fáceis
quando o assunto é o coração
mas gostaria de descobrir a verdade
antes de me afundar na aflição

Então, por enquanto, eu espero
e deixo o tempo me guiar
quem sabe um dia a resposta chegue
e eu possa finalmente amar

Matile Facó

Entre rimas e fugas

Escrever é meu refúgio
a caneta é minha aliada
eu deixo as palavras fluírem
e elas me orientam na estrada

Os versos são como um vício
que me leva a outros lugares
eu escrevo para esquecer
e assim minhas dores viram frases

A escrita é meu porto seguro
um espaço onde posso inventar
onde eu posso me revelar
sem precisar me prejudicar

E a cada linha que escrevo
sinto que estou renascendo
é um escape da realidade
um momento que estou vivendo

A poesia é minha liberdade
me leva para onde quero ir
é meu caminho de fuga
e é assim que eu vou seguir

Matile Facó

Cotidiano poético

Não sou poeta, nem escritora famosa
Mas a beleza no cotidiano é grandiosa
No barulho da rua, no voar dos pardais
No brilho do sol, no cheiro dos jornais

Na simplicidade da vida cotidiana
Encontro minha fonte de inspiração
Na rotina, na repetição mundana
A poesia surge sem aviso, sem razão

Às vezes é um sorriso no rosto de um estranho
Outras, é o cheiro de café recém-coado
Não importa o que seja, sempre há um tamanho
De beleza no trivial, que nunca é desperdiçado

Nas ruas, nos parques, nas esquinas
A vida pulsa, mesmo sem notar
E eu sou uma observadora atenta
Da poesia que o cotidiano pode me dar

Não é preciso muito para enxergar
A beleza que há no que é banal
Basta ter os sentidos atentos para encontrar
E desfrutar dessa poesia imortal

Matile Facó

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