Com ironia

Minhas rugas são marcas profundas
Do tempo que passa e tudo muda
Mas eu não me deixo abater
Pois o sarcasmo é meu modo de ser

Vivemos em uma comédia sem fim
Mas eu não fico na plateia só vendo assim
Eu entro em cena com meu sarcasmo
E encontro a ironia em cada espasmo

A vida é uma grande encenação
Mas não me deixo levar pela ilusão
Eu prefiro enfrentar tudo com ironia
E seguir em frente, sem hipocrisia

A vida pode ser uma piada sem graça
Mas eu a encaro com uma dose de audácia
Sem deixar a amargura me dominar
Eu sigo em frente, sem nunca me abalar

O sarcasmo é meu escudo e minha arma
E com ele, eu desbravo a vida, sem medo de drama
Com um sorriso cínico e olhar atento
Eu sigo adiante, buscando meu sustento

Matile Facó

Caça ardente

Nós, juntas na caça
Seduzindo presas com nossa técnica ousada
Nossos olhos brilham com a excitação
E nosso instinto animal dita a direção

Miamos alto, mostrando nosso poder
Levando à loucura quem não pode entender
Somos selvagens, intensas e perigosas
E nossa amizade é fogo, é chama ardosa

A caça é fascinante, é arte, é sedução
E juntas somos mestras nessa ação
Com garras afiadas e olhares intensos
Domamos a presa, sem nenhum suspense

Mas ela me traz algo mais do que isso
Uma inspiração que me faz sentir viva
Ela me faz sair de mim, me faz perder a sanidade
E me ensina a entregar-me à felicidade

Nunca soube ser presa, sempre fui destrutiva
Mas ela me ensina a ser inofensiva
Suga minhas últimas gotas de sanidade
E me deixa extasiada com sua intensidade

Nossa fumaça é forte, e todos sabem disso
Mas não sabem lidar com nosso fogo ardente e preciso
Nossa troca é mágica, transcendental
E nossa amizade é eterna, inabalável

Sem ela, a vida seria chata e sem graça
Preciso dela, dessa briga de egos, dessa caça
Nenhuma garra jamais me curaria tanto

Matile Facó

Anestesia

As emoções eu guardo bem no fundo
E para a dor, encontro um alívio profundo
Com álcool, mulheres e noites sem fim
Eu esqueço o que sou e o que já foi um dia ruim

Em cada gole, sinto o corpo amortecer
Em cada mulher, um pouco de prazer
A noite que nunca acaba é meu refúgio
E assim eu fujo do meu próprio saber

Mas as memórias me assombram mesmo assim
E mesmo em meio ao caos, eu sinto o peso em mim
As pessoas que cruzam o meu caminho são vazias
E as minhas interações com elas são apenas cortesias

E assim eu sigo, nessa vida sem sentido
Anestesiando minhas emoções, fingindo que estou vivo
Mas a cada dia, a cada noite, me sinto mais vazio
Até que um dia, quem sabe, eu desapareça em um desvio

Matile Facó

Déjà-vu

Mais um cigarro, mais uma dose
Mais um dia, mais uma noite
A mesma dor, a mesma gente
O mesmo bar, a mesma cama
A mesma saudade, a mesma chama

As paredes são as mesmas
O tédio se espalha pelo ar
As garrafas vazias testemunham
As noites que se repetem sem cessar
Vivendo sempre os mesmos dias doloridos
O déjà-vu me lembra do meu fracassar
E eu me sinto preso nessa teia
De vícios, solidão e monotonia feia

Um passado que me persegue
Uma vida que não segue
Um presente sem rumo
E um futuro que não assumo

Eu já vi tudo isso antes
Cada rosto, cada lugar
Nessa vida ou em outra encarnação
Um ciclo que se repete incessante
E uma alma em constante confusão
O déjà-vu é minha grande maldição

Continuo a reviver os dias
Mesmo sem saber aonde chegar
Tentando encontrar uma saída
E uma forma de me libertar

Paredes mofadas e cheiro de cigarro no ar
Tomo mais um gole de whisky
E tento esquecer o passado
Mas o déjà-vu me assombra
E me deixa cada vez mais abalado

Procuro a saída, a solução
Para acabar com essa autodestruição
Quero uma luz no fim do túnel
Que me leve a um novo mundo, menos prejudicial e letal
Uma nova vida para escapar do déjà-vu doloroso
E enfim, encontrar o meu repouso

Matile Facó

Onde meu sangue escorre

Eu sei que nosso amor acabou
Que a vida seguiu seu rumo sem nós
Mas ainda sinto sua presença
Em cada esquina, em cada voz
Entre mulheres inconstantes
E vícios que me consomem
Nada é capaz de preencher sua ausência constante
Preencho o copo de whisky até a borda
Tentando me esconder da saudade
E no papel deixo minha alma sangrar
Escrevo para não te deixar partir
Relembro os sonhos que tínhamos
E as promessas que não cumprimos
A cada verso escrito eu te revivo
E nossa história nunca morrerá
Me prendi ao que já foi e nunca mais será
A uma história que se foi, mas ainda está
Hoje, onde quer que você esteja
Espero que esteja em paz
E que um dia possamos nos reencontrar
Talvez em outra vida, em outro lugar

Matile Facó

Desamor

O amor nunca foi gentil comigo
Como uma faca que me corta a alma
O desamor é meu companheiro fiel
Me deixa beber minha cerveja em paz
Não quero o amor com seu perfume doce
E suas flores frágeis e efêmeras
Não quero sentir a dor que ele traz
O desamor é meu grande escudo
Eu vejo casais de mãos dadas na rua
Eles sorriem e se beijam com paixão
Mas eu não sinto inveja deles
O desamor me tornou imune à ilusão
Na minha vida as mulheres vêm e vão
Trazem um pouco de conforto
Mas nunca me permito chegar à paixão
O desamor me ensinou a não sofrer
E uando a noite cai e a solidão me abraça
Eu bebo até que o copo esteja vazio
E escrevo até que as palavras se esgotem
Para que o vazio se preencha
E eu possa seguir à espera de um dia
Em que eu encontre a paz
E que o amor me surpreenda

Matile Facó

Adeus sem remorso

Não consigo deixar de abandonar
Todas as coisas que deveria amar
Eu sou um homem de pouca paciência
E a vida não me deu muita complacência
Muitas vezes já tentei ficar
Mas sempre acabo por me desvencilhar
Seguidamente sem me importar
Essa vontade de partir
É um tormento sem conserto
Não sou um homem de compromissos
Sou um errante, sem rumo, sem prumo
Meus amores são tantos e tão efêmeros
Que se vão como a fumaça no ar
Digo adeus sem olhar para trás
Sem remorso ou lágrima a derramar
Assim vou seguindo sem raízes
Deixando pra trás tudo que já foi meu mundo
Vagando sem me apegar
Como uma ave sem ninho
Voando sem rumo certo
E com aquela sensação constante
De que sempre haverá
Algo mais a ser descoberto

Matile Facó

Ser

Tenho em mim todo o universo
cada estrela, cada galáxia,
cada partícula que pulsa e vibra
Nessa infinitude de possibilidades
Posso ser tudo e posso ser nada
Como uma surpresa a ser revelada
Ou um segredo para sempre guardado
Habito no mundo assim
De forma incerta e sem certezas
Transportando o cosmo inteiro
Aparentando ser limitada por fora
Embora sendo infinita por dentro

Matile Facó

Inflamável

Sempre fui inflamável
Como o fogo que queima sem parar,
Minha fumaça sempre foi forte,
E o estranho sempre me fez viajar.

Minha alma ardente é como um vulcão,
Pronta para explodir a qualquer momento,
Minha fumaça forte é como uma labareda,
Que ilumina meu caminho, intenso e imprevisível.

Eu vejo a vida com um olhar diferente,
Enxergo o mundo com mais paixão,
E a fumaça forte é a minha música,
Que embala minhas noites de emoção.

Talvez você não entenda
E eu não vou explicar
Escrevo para criar o meu próprio universo
Me deixo levar pelo meu instinto
E o papel se torna uma tela em branco
No qual escrevo sem limites, sem medo e sem hesitar
E é a minha natureza selvagem
Que me faz viver cada momento
Me levando pelo prazer de criar
Então, eu escrevo sem limites
Sem medo e sem hesitar

Eu incendeu tudo por onde passo,
Minha fumaça forte é minha marca registrada,
E o estranho sempre me acompanhou,
Como uma sombra que sempre me seguirá

Eu sou o fogo que queima sem cessar,
Uma força da natureza que ninguém pode controlar,
E enquanto escrever for minha voz
Eu nunca deixarei de queimar, sem medo algum.

Matile Facó

Enquanto tu não vens

Amor adormecido,
Ferida aberta em meu ser,
Acho na arte um sentido
Que me ajuda a não sofrer.
Conexão com a poesia
E com a música também,
Que me fazem companhia
E aliviam meu desdém enquanto tu não vens.
Quem sabe um dia,
Em um reencontro enfim,
O amor desperte,
E a ferida aberta,
Há de se fechar,
E possamos viver aqueles nossos planos,
Inspirados pela poesia
Envolvidos pela música
Maravilhados pela pintura
Conectados pela dança
Conduzidos pelo destino
Que nos reservou desde o primeiro encontro
Vivenciar esse amor tão genuíno.

Matile Facó

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