
Esse cigarro me lembra você.
Já passaram-se anos desde aquele dia do adeus.
É negligência minha nunca ter escrito sobre você, mas, agora, é como se as palavras se pusessem no papel sozinhas, sem minha pretensão.
Lembro bem dos nossos dias, das juras de amor eterno, dos inúmeros planos para um futuro distante.
Ainda guardo todas as cartas e bilhetes que me escrevia e sempre me emocionaram tanto.
Lembro com carinho de todas as músicas que me dedicava e das nossas conversas mais profundas. Você sempre soube todos os meus segredos.
Aquilo era paixão incendiária, sem limites, pura, irracional, mas também um pouco ingênua, porque sabíamos que teria um fim.
Aquele tão temido fim do qual sempre evitávamos falar. Estava vestida, mas minha alma estava nua e vulnerável.
Você destinado a ir pra tão longe de mim. Me transtornava saber o prazo de validade da mais sincera e pura paixão que vivi.
Hoje, sem você aqui, me aventuro em outros corpos e até mesmo em outros corações. Sei que nada é seu. Sinto a realidade me apunhalando.
A vida segue, assim, distanciando geograficamente nossos corpos, mas pra sempre unindo nossos corações.
Matile Facó